9
Oct 2017

Primeira infância é período decisivo na formação da personalidade infantil

Dados recolhidos nos últimos 100 anos de pesquisas mostram que a primeira infância é período decisivo na formação da personalidade, caráter e modo de agir do adolescente e do adulto. Os primeiros seis anos são fundamentais para a constituição da mente futura. Acontecimentos precoces de natureza física, emocional, social e cultural permanecem inscritos por toda vida nas conexões sinápticas (processamento e transmissão de informações dos neurônios). Essas evidências foram confirmadas em achados recentes da Neurociência. 

Portanto, é possível concluir que é muito mais eficiente ensinar valores e fundamentos éticos da cidadania e da cultura de paz nas primeiras fases da vida, já que a criança nesse momento é dotada de capacidade absorvente, tudo que ela recebe julga com imaturidade, recusando e reagindo pouco. Nessa fase ela absorve e estrutura a personalidade do futuro adulto. O conteúdo mental se constrói a partir do convívio social e assim acumula experiências que serão utilizadas para a construção de sua vida. 

Uma primeira infância privada de instrumentos afetivos fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança, do ponto de vista psíquico, social e cultural resulta em adultos dentro de modelos corruptos, consumistas, predatórios e competitivos. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), um dólar investido nessa faixa etária gera uma economia de sete dólares em assistência social, atendimento à doenças mentais, manutenção de sistemas prisionais, repetência e evasão escolar. Além de 15 dólares por pessoa em doenças que continuam a se manifestar na vida adulta, como depressões, suicídios, homicídios, abusos de drogas, sintomas físicos e outros.  

Uma interferência adequada na infância é essencial e ao mesmo tempo, um desafio. Alguns achados científicos recentes, contribuem para a implantação de práticas e políticas voltadas à promoção da cidadania, por meio do fomento à saúde mental e social (salutogênese) e de formas de educação e cuidado a criança, que ajudam a resolver, desde cedo, de forma pacífica os seus conflitos. Dessa maneira, eles superam as adversidades da vida, lidando respeitosamente e generosamente com o outro e com o ambiente. Uma realidade construtiva e inclusiva (resiliência) é extremamente relevante para explicar porque os indivíduos conseguem vencer, mesmo estando em ambientes hostis e adversos. 




Fonte: Instituto MRV
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