23
Apr 2019

É preciso acabar com o ciclo vicioso da pobreza

Estudos anteriores já apontavam que a população que vive na pobreza tem mais dificuldade em atingir seu potencial de desenvolvimento, permanecendo no mesmo status durante a vida. Esse retrato, agora, pode ter sua causa descoberta por meio de uma pesquisa publicada na revista Developmental Science.

Esse novo estudo indica que a pobreza e outras adversidades precoces afetam bastante o desenvolvimento do cérebro, contribuindo para um ciclo vicioso de pobreza. Ou seja, as crianças são afetadas desde cedo, especialmente aquelas cujas mães apresentam baixo nível de escolaridade. Dessa forma, com a atividade cerebral mais fraca, elas são mais propensas a se distrair com facilidade, o que pode prejudicar o aprendizado.

Para verificar a atividade cerebral, os pesquisadores utilizaram um dispositivo portátil de espectroscopia, que mede informações do nível molecular, em crianças entre 4 meses e 4 anos da Índia e dos Estados Unidos. Com esse equipamento, a equipe investigou a memória de trabalho visual dos participantes, responsável pela aprendizagem, um excelente marcador do desenvolvimento cognitivo inicial.

O resultado – considerando fatores como nível educacional dos pais, renda, religião, número de filhos na família e status econômico – mostrou que, em comparação com os participantes americanos, as crianças indianas de famílias pobres e com baixa escolaridade materna mostraram atividade cerebral mais fraca. Ou seja, elas não aprendem tão bem quanto poderiam.

Agora, com esse diagnóstico em mãos, pode ser possível mudar a realidade dessas crianças, interrompendo o ciclo intergeracional de pobreza com intervenções que estimulem sua saúde cerebral precoce.



Fonte: Instituto MRV
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